Thursday, 30 April 2015

Voltei

Deixei de escrever
E a miséria aumenta em mi.


(Pic by Katia Chausheva)


Friday, 5 July 2013

Memória

Foto de Sebastião Salgado
...
...

será talvez porque temos fotografias que apagamos a nossa memória
esquecemos também de ver
e já não sabemos olhar

é tarde
muito tarde

para voltarmos a Ser

quantos há em mim?

Se todos os dias fossemos está coisa feita de vento e chuva, feita de sol e secura, feita de ser e não ser, feita sem feitio e forma... Se todos os dias não fossemos a máquina, o negro de Lynch e a filosofia de Bergman... Se todos os dias fossemos qualquer coisa no meio do espaço infinito e não este corpo pegajoso e inútil vivendo dentro de uma caixa de betão armado onde de verdade não existimos. Se cada dia fossemos as nossas três realidades inteiras e se a cada momento fossemos também uma quarta realidade a meias com o outro. O nosso corpo projectado três vezes no espaço circunspecto pelo medo, dois fora e um dentro. Um direito e outro avesso. Um quarto que não temos tempo de ver e um terceiro que calamos sempre num eterno retorno cândido e sem sentido, apagado na memória selectiva que já não é sequer susceptível de ser menos ou mais que a maquina. Se deixarmos todas as religiões, se por fim dissermos que não sabemos para que servem e ainda menos a necessidade de ter uma. Se deixarmos a náusea do existencialismo, se de uma vez por todas deixarmos de ser agelastas desconfiados e sairmos dessa caixa de betão armado, desse mundo amarelo bacilente e apenas deixarmos-nos SER o gozo de saber rir.

Quem escreve busca isso mesmo ESCREVER


Quem escreve, escreve porque?

Quem escreve busca expressar e/ou descrever sons, luzes, cheiros, sensações, ideias, imagens e/ou quem escreve busca no fundo da sua imaginação a melhor forma para contar uma hi/estória... Tudo isto diz essa maioria maioral de gente. Eu não estou de acordo!

Quem escreve busca sem cansar durante toda a jornada, não a forma de expressar ou descrever, mas sim a forma de e para ESCREVER um som, um cheiro, um gesto, a vida inteira e a ausência dela. Quem escreve alimenta-se não da katharsis do avesso na expressão ou na descrição mas dessa interminável insatisfação das palavras face à embrieguez dos sentidos.

Quem escreve busca isso mesmo ESCREVER

ressureição

Vai-se a culpa da tua morte e a tristeza da tua morte. 
Vai-se o medo de dizer da tua a tua morte. 

Será ridículo dizer que agradeço a tua morte e mais que isso 
a morte da tua morte em mim mas, 

ridículo é o amor e todas as coisas 
que nos transcendem. 

Ridículos somos todos 
na pressa incesante de alcançar não se sabe bem 
o quê. 

Hoje és sangue em mim e memória, já não da tua morte mas 
da tua vida

Saturday, 14 January 2012

everyday I feel a little less of you.

Thursday, 15 December 2011

chega-te a mim

já não há nada teu aqui

quando eu era pequenina...

.. nada se media em tempo, tudo existia na medida e alcance dos meus olhos.

Tuesday, 13 December 2011

...

The wounds on my hands never seem to heal


http://www.artlimited.net/image/en/95301

Tuesday, 16 August 2011

como quando era pequena

Hoje quando for dormir, toca os meus pés descalços com as tuas mãos vazias e leva-me o medo.

Friday, 15 October 2010

hoje, alguém caminhava na rua com o teu perfume

e eu fechei os olhos e imaginei que eras tu...

Quem escreve busca isso mesmo ESCREVER.

Quem escreve, escreve porque?

Quem escreve busca expressar e/ou descrever sons, luzes, cheiros, sensações, ideias, imagens e/ou quem escreve busca no fundo da sua imaginação a melhor forma para contar uma hi/estória... Tudo isto diz essa maioria maioral de gente. Eu não estou de acordo!

Quem escreve busca sem cansar durante toda a jornada, não a forma de expressar ou descrever, mas sim a forma de e para ESCREVER um som, um cheiro, um gesto, a vida inteira e a ausência dela. Quem escreve alimenta-se não da katharsis do avesso na expressão ou na descrição mas dessa interminável insatisfação das palavras face à embrieguez dos sentidos.

Quem escreve busca isso mesmo ESCREVER.

Wednesday, 6 October 2010

...

amachucaram o meu coração tanto tanto
que ele secou.

Tuesday, 12 January 2010

:)

Vai-se a culpa da tua morte e a tristeza da tua morte. Vai-se o medo de dizer da tua a tua morte. Será ridículo dizer que agradeço a tua morte e mais que isso a morte da tua morte em mim mas, ridículo é o amor e todas as coisas que nos transcendem. Ridículos somos todos na pressa incesante de alcançar não se sabe bem o quê. Hoje és sangue em mim e memória, já não da tua morte mas da tua vida :)

Wednesday, 2 December 2009

Saudade de ti...

Se soubesses ler-me nas entrelinhas
Terias provado o meu sorriso de sal
E saberias como sabe sorrir uma lágrima

Friday, 13 November 2009

era uma vez à um ano...

Quando não me sei escrever
busco em silêncio pelas
palavras dos outros...

Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lessidão de arrancar raizes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos...)
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) - nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...

Josó Gomes Ferreira

Gostava que tivesses partido assim, Pai...
transformando-te em nuvem... sem ver o abondono de ti naquela cama que não era tua.

Tuesday, 27 October 2009

as flores...

preciso de uma memória feliz das flores...

Poesia

Poesia
Imaginação espontânea
De um ser poético

Poesia
Rumorejar das árvores
Na Alma das pessoas

Poesia
Flor que se despétala
Dia a dia

Poesia
Encanto do belo
Lume do satírico
Agonia da dor
Amor do Amor

Thursday, 22 October 2009

Digitais

Nas minhas mãos
Permanece,
Ainda hoje,
O cheiro daquelas
Flores que te ofereci!
Eram tantas!
E coloridas!
E perfumadas!
Envoltas em verde
Em vários verdes
Abraçadas…

Guardo o cheiro
Na ponta dos dedos
E o brilho dos teus olhos
Nas estrelas da minha alma…

Guardei-te todo em mim!
A ti
E ao cheiro das flores
Na ponta dos dedos.

Tuesday, 6 October 2009

prefiro doer...(II)

trazias os bolsos cheios de nada
não chegas a ser sequer uma marioneta da tua própria vontade

ficou-nos o meu cascalho salgado
partir o vidro e calar...

Thursday, 1 October 2009

prefiro doer...

há uma janela quieta aqui dentro
uma cortina que treme de cada vez que respiro
estou preste a gritar para partir o vidro

em vez de silêncio atira-me uma pedra

eu assim, poderei calar

Wednesday, 16 September 2009

a dança da chuva

Ontem dançamos a dança da chuva e sorrimos de renovação. O Outono trouxe o cheiro da terra e do café moído cada manhã com mais intensidade e mais cor. Pensei que a culpa era minha, perguntei-me todo este tempo se teria sido diferente se ali estivesse contigo. Se teria sido mais largo o teu respirar por me teres por perto. Lembraste do dia em que fomos ver o Ocêano, agarraste na minha mão e disseste que nunca me deixavas. O sal tocava-me as faces e a espuma das ondas beijava-me os pés descalços. Promessas... A última vez, que podia ter tocado a tua pele, faltaste ao encontro e sem porque. Um tirano lunar segregou a tua vontade e escondeu-te num lugar cavernoso, tenho medo e não posso entrar. Preciso de me calçar para chegar a ti e só tenho estes pés descalços diluidos nas tuas mão vazias. Mas a quem chamei monstro tocando-me a pele com gestos suaves? Largo as horas e o bem querer que me asfixia. Largo tudo e tudo é lastro. De pés descalços sigo à procura não das tuas mãos vazias, mas do meu corpo escalvado como a terra onde nascemos. Hoje dançamos a dança da chuva...

Wednesday, 17 June 2009

Holding a music box...

We still have Barcelona...

Monday, 15 June 2009

...

Nabucodonosor foste tu
quem em mim criou
maravilha de jardim
suspenso em meu coração
que é nenúfar
que viaja e balança
neste lago de lágrimas
que por meu amor choro…
A teu deus Shamash
que é sol
que é flama
fala de mim
para que me sirva de esteira!
Eu sou Guilgamesh
nas entranhas do mundo
buscando o morto
que a mim ama…

Saturday, 30 May 2009

...

parece que morri contigo

Friday, 20 March 2009

ou não quero...

é um vazio
um espaço desocupado
e que tem uma porta que nem sequer está aberta
está só fechada no trinco
mas eu ainda assim nao consigo abrir

Monday, 9 February 2009

"nadie sabe de mi"


como puede ser tan largo el mundo de piedra que criamos
y
tan pequeñas nuestras vidas en ello?
...
.....
{foto de Guillaume Vallve - nadie sabe mi}

Saturday, 10 January 2009

"amo tracinho te"

Teremos sempre as tuas mãos vazias e os meus pés descalços...

Saturday, 22 November 2008

Serás sempre o meu Pai... Hoje faz uma semana que te vi naquela caixa de madeira forrada de tudo o que é palido e morto e temeroso... Trarei comigo a hora que dormi na cama onde morreste umas horas depois... O último momento que partilhamos, o instante em que te vi pela primeira vez entregar e esvaziar as mãos. Tu já não estavas ali, saias devagar do teu corpo cansado e moido... Não tive sonhos, acordei estremelhada e pensava que tudo era uma farsa. Tu gemias e tu já não eras tu... Tu respiravas e já não eras tu... O teu corpo estava gelado, o calor do teu regaço já não era teu... – Tenho frio Pai!Anda aqui que o Pai aquece-te “filhota”. – Já não há calor e os teus olhos são de vidro e as tuas mãos estão vazias... Doi tanto Pai! – A senhora não está aqui a fazer nada, ele já não a sente, já não a conhece... – Ele pode não saber quem eu sou, mas eu sei quem ele é. – Ali estava eu a implorar que me apertasses a mão uma vez mais... Só uma vez mais Pai... Morreste. Mas não acredito e espero que a palavra "filhota" volte a soar para mim...

Friday, 21 November 2008

DaddyCool...

Olhos de céu ao céu tornam...
(1951-2008)
***
.................
***
K's Choice - Dad
I was a kid you were my dad
I didn't always understand
I wanted freedom you got mad
You were concerned I got upset
I didn't recognize you yet
And did you cry I know I did
When I lied to you
I didn't want to hurt you
I just never knew I did
You never told me that you loved me
I know you didn't know how
I guess that shows we're much the same
'Cause I love you too and until now
I've never said those words out loud
I hope you're proud
To be my dad...
What are your secrets, do you pray
Is there a god that shows your way
I wish I knew...
Do you have crazy fantasies
What happens in your dreams
I want to know...
I guess you'll always be a mystery to me
But you taught me how to value life
And what else do I need
I have a dad who watches over me

Friday, 24 October 2008

...



porque será que tudo me procura e eu me sinto cada vez mais sozinha?
...............................................................................
{Foto: katia Chausheva - untitled}

Tuesday, 7 October 2008

Afinal, poque é que nos agarramos tanto à Vida?

Todos repetimos vezes sem conta que aquela pessoa especial que nos morreu está “lá em cima” a descansar e a olhar por nós. Todos nós repetimos que a morte é uma bênção para quem se sente em sofrimento. Todos nós repetimos que a morte faz parte da Vida, do nosso ciclo. Todos nós repetimos que o mais certo que temos é morrer um dia. Mas todos nós nos agarramos à Vida. Mas todos nós desesperemos quando alguém de bata branca diz: pode ser que não seja nada, não vamos pensar no pior. Aqui a morte deixa de ser essa coisa natural e descansada e passa a ser o nosso maior pesadelo. Aqui a morte deixa de ser o eufemismo do descanso e do olhar por quem amamos para ser a nossa maior luta. Encaramo-la como um inimigo árduo, inteligente e cheio de manhas que penetra em qualquer parte do nosso corpo. Aqui a morte é o intruso, o não deve ser, o vai-te embora, a foice que corta tudo rente à Terra, o negro molhado das lágrimas, o perdão que ainda não pedimos, o sorriso que ainda não demos, as flores que cheiram a defunto... E TUDO... E TUDO... É um pesadelo horrível e desesperado. Afinal porque é que nos agarramos tanto à Vida? Todos repetimos que a nossa Anima e o nosso Ser são o que de mais importante temos e todos repetimos que isso não se perde quando morremos, afinal a Anima dos que amamos nos protege. Afinal porque é que nos agarramos tanto à Vida? Todos dizemos que este Mundo é de gente louca e que para pior não vamos já que ninguém de “lá” volta. E repetimos e dizemos e repetimos e dizemos e repetimos e dizemos... Frases sem sentido! Porque afinal todos nos agarramos à Vida.

Wednesday, 17 September 2008

sem nome...

Ontem era um porto
Hoje sou um barco desatracado
Duas ou três tábuas de madeira bulorentas
À deriva…

Ontem era…
Hoje já não sou!

Friday, 11 July 2008

molécula e átomo

Quero para mim o mergulho
A disolvência do tempo no meu sangue

Ser sempre esta ferida aberta
Seres sempre o pico de silva cravado

Quero para mim o que não sei querer
A anulação do vazio no vacuo

Seres sempre aquele pedaço de vidro partido
Ser sempre os sete anos de azar

Queres para ti a solidão
O que não queres por desconhecer

Ser sempre o cravo moreno
A liberdade do karma que construo

Queres!

Não quero!

33

Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Afinal também sei dizer que não!!!

Thursday, 3 July 2008

Ode ao ODIO

Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO
Ódio a TUDO

Prefiro o NADA

Quero ser NADA

Saturday, 7 June 2008

Momentos de Ir-Reflexao




Há coisas que nunca chegam

ou chegam quando já nao somos...


Acordei um dia de um sonho que tive.

E vi... Desfeita a realidade

do que na verdade

nao existiu.


Dá-me a tua mao, mas nao

me resgates.

Deixa que a minha vida seja

um novo volume...

Deixa-me apenas conhecer-lhe

o prefácio.


Gosto de pensar que

o Amor pode ser um casal

ainda que pareça metade morto...


Diferenças entre conhecer e

percorrer o caminho.


Larga,

Abandona,

Deixa estar,

Entrega,

Guarda,

Silencia,

em segredo...


A gota de orvalho que caiu

no teu sapato.

E deixa crescer a flor

que ela embebeda!

Wednesday, 23 April 2008

Ausência...


Amei-te nessa noite mais do que em todas as outras,
porque senti a tua falta…
***
***
{Na foto: Nuno Lopes no papel de Mário, no filme Alice de Marco Martins}

Wednesday, 2 April 2008

sem título



deixa-me chorar-Te inteiro...
arrancar-te da palma da minha mão!

Monday, 31 March 2008

Dá-me a mão...



Apetece-me a reclusão do teu sorriso
Estampado no espanto dos meus olhos.

Quebrar o meu corpo de vidro...

Ser o caminho por onde tudo pesa e tudo passa...

Ser-mos juntos:
O caminho
Os caminhos
De nós
Dos outros...

O medo mais avassalador esmaga até partir!
(Estilhaços de caminho por todos os caminhos)
E uma pequena parte que não é e nem mais pode ser.

Percebo neste esgar dorido e repetido,
Como o mover do ponteiro dos segundos,
A falta que me fazes e ainda nem partiste.

Não te movas agora!
Queda-te aqui comigo mais algum tempo,
Silência o grito que ainda não dei,
Que trago guardado para o teu
Último respirar...

Apetece-me a reclusão do teu abraço,
Das horas, dos dias, do(s) espaço(s).

Um monstro invisivel vai
comendo a cumplicidade de sempre.

Já não sou a criança que beijava as flores
E sorria para ti...
Agora não quero flores!
Não quero pensar nelas em ti!
Quando esse dia chegar não quero flores!

A memória partilhada entre nós
E elas
Terá de ser imutavel.

Saturday, 16 February 2008

No Silêncio...

************************
Silêncio é aquilo
que quanto mais
nos pomos à escuta
não conseguimos
ouvir...
***
No Silêncio
o Amor é mais tranquilo.
No Silêncio
dorme-se, sonha-se mais.
***
No Silêncio
é como estarmos sós
numa gruta.
No Silêncio
pensamos muito
no que não conseguimos.
***
No Silêncio
tudo acabamos
por sentir.
***
Como é bom
Viver...
No silêncio!
***
{foto de Katia Chausheva - Anna}

Tuesday, 29 January 2008

A Dança…


Teus seios são como lábios a sorrir
E eu acedo ao teu sorriso
E abro-te os lábios vaginais
Como se fora um livro...

Tua vulva arde de prazer
E eu toco-a mais, e mais…
E ela cresce-me nos dedos!
E pedes-me – Não pares!
E gemes de prazer!
E ainda não cheguei ao clítoris…
Mordo-o agora de forma doce
Enquanto te acaricio o umbigo
E tu respiras fundo…

Viajo até à tua boca
Lambendo a tua barriga
E trincando os teus mamilos…
E tu agarras-me a nuca com força
E mexes-te toda retorcida!
O teu gemido na minha orelha
A tua língua na minha língua
E os teus olhos fitam-me
E ardem como chama!

Sentes o teu gosto em mim
E o meu gosto em ti
Os nossos odores misturados
A fragrância da dança dos corpos
O cheiro do mais doce pecado…
E dizes – Penetra-me!
E eu rendido acedo
E procuro a tua alma
E entro em ti até ao fim de mim!

Gritas de delírio!
E eu dou-te ainda mais prazer…
Arranhas-me as costas
Prendes-me os cabelos
E entre beijos sôfregos
Chegamos ao orgasmo!
E é tão bom…
Do êxtase transpiramos
E enfim dizemos que nos amamos…
*****
{foto de Katia Chausheva - red is in the air}

Wednesday, 16 January 2008


É só o que temos
este nada que somos.
***
{foto de Katia Chausheva - Silenzio}

Friday, 11 January 2008

serás sempre Pai, o meu Pai

serás sempre Pai, o meu Pai
mas eu deixarei de ser filha, a tua filha
no dia em que essa palavra já não se disser mais...
nunca mais!
.....
parassarás a viver em pedaços de papel:
vou trazer-te no bolso, no caderno,
na agenda, na carteira,
nas paredes da casa...
(que já não será A Nossa casa)
.....
um dia será o mesmo comigo
também eu serei apenas papel e memória
ou talvez nem isso...
.....
sabes, Pai, apetecia-me congelar o tempo
apetecia-me ter sido sempre
a menina de cabelos pretos que beijava as flores!
.....
o cheiro das flores vai sendo outro
ganhará memória num dia triste e de luto...
.....
cá dentro o espaço de ti é maior
e lá fora habitam os outros...
os que não gostam de se meter às avessas
os que têm medo...
.....
cá dentro o espaço de ti é maior
porque cá dentro deixaste a semente
da força, da verdade, da liberdade
e do amor!
.....
cá dentro NUNCA morrerás!
.....
*****
{foto de Katia Chausheva}

Friday, 30 November 2007

insomnia


o que nao se descreve

(o que é?)

quando nao se sabe o que dizer sobre o sentir

(é sonho?)

mergulhar na bolha de luz que encandeia
sentir a terra mas com os pés bem alto
respirar compassado
fechar os olhos porque é tempo de calar

(é sonhar?)

ser contrario em si mesmo
não precisar do seu contrario
para que seja contrario

(é querer ser sonho?)

viver o que existe onde já não se é

(é ter sonhos...)

***
{foto de Katia Chausheva - insomnia}

Friday, 16 November 2007

Não tenho nada!

Tenho para ti este tempo incerto num lugar indefinido...
Tenho para nós o meu corpo partilhado contigo... Colado ao teu...
Tenho para ti o meu toque, o meu cheiro...

Tenho para mim este nada... De viver o momento de tempo incerto num lugar indefinido...
Tenho para esse momento o silêncio de calar com gestos...

Tenho saudades de te dizer o que não te disse!
...
{foto de Katia Chausheva - Untitle}

Wednesday, 7 November 2007

cogito ergo sum

Sento-me, agora,
na cadeira menos cómoda
do meu pensamento.

(…torço…
…inspiro…
…retorço…
…expiro…)

Não reconheço
o meu auto-retrato.
É o epitáfio
da guerra dos vates.

(…transpiro…
…belisco…
…entorpeço…
…mordo…)

O meu lugar é outro
numa cadeira sem braços
mas que me abraça.

Dobro o cotovelo,
encosto a mão ao queixo
e cruzo as pernas.

Fecho os olhos,
vejo-me mal sentada,
curva e encolhida.

É o auto-retrato
da ubiquidade da vida.

Thursday, 1 November 2007

Salva-te!

o improviso não se sabe de quem
qual dor, qual agonia, qual peso
é o de não ter a quem...?

o improviso não se sabe de quem...
***
{foto de Daniela Amaral/Vicdaen - Forsaken}

Monday, 15 October 2007

um conto de fadas real...

***
Era uma vez….
Eram, uma de tantas vezes
contadas dia após dia num calendário apagado pelo tempo.
***
{foto: Solitude by MasterDarkness}

Sunday, 7 October 2007

A Romã

Quando eu morrer, não
digam que morri!
Quando eu morrer, digam
Vida!
Porque quando eu morrer, Eu
não morri...
***

{foto de Katia Chausheva - October}


Wednesday, 26 September 2007

Levantar da cadeira...


A minha vida é um novo volume do qual
ainda só sei o prefácio...
Sigo descalça, em
bicos de pés para não
fazer ruído e ouvir-me cá
dentro…

{foto: Katia Chausheva - Afternoon}
Posted by Picasa

Sunday, 26 August 2007

A paz de crescer...

É dificil caminhar.

Porque é que me fazes sempre o mesmo?
Porquê isto...?
Porquê aquilo...?
Porquê aqui e porque
não mais além...?
Porque não aqui e
não o mais alem?

Onde estão as respostas?

São perguntas as repostas e
o jogo continua...

Aqui...Além...Mais...Muito mais além!

Só tu guardas os segredos e os
mistérios.
Só tu calas e sossegas os
silêncios e os espaços.

Perceber isso é encontrar a
resposta para a mais dificil das bucas.

Agora que te sei em mim
encontrei a paz de crescer:)

Beijo-te a face e parto, como
um filho que não se pode aprisionar...

Aqui...Além...Mais...Muito mais além!

Saturday, 18 August 2007

O teu sorriso:)

***

Precisamos de nos repensar
De ganhar os sorrisos e os sonhos...

Já não somos meninas...

(Talvez, nem tenha havido tempo para o sermos!)


A tua luz que me inunda de fé,
O amor que me ofereces,
A tua força de Valquíria,
Fez-me entender melhor:
Que o que importa é saber
Que a vida só é ganha para
Quem a vive de facto!

(Sabes?...
Vou contar-te um segredo,
um segredo daqueles pueris,
inocentes e irracionais:

- Ontem vi nascer o Sol e
lembrei-me que ele nasce todos os dias!)

{A ti...Valquíria...Amo-te maninha***}

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Tuesday, 31 July 2007

Ernst Ingmar Bergman 1918-2007

Por tudo o que importa, pelo
nada que somos quando o
medo nos aprisiona...
Alea Jacta Est!
***
Jean-Luc Godard disse: O cinema não é um trabalho de equipa. O realizador está só diante de uma página em branco. Para Bergman estar só é fazer perguntas; filmar é encontrar as respostas.
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Wednesday, 25 July 2007

cansada


estou hoje
cansada de ouvir
tudo aquilo que não me disseste

doem-me os ecos
dos meus silêncios
doem-me as palavras escritas
aquelas por mim nunca faladas

estou hoje
farta de não te ouvir
quando falas de nada

doem-me os sons
dos meus pensamentos
doem-me os traços finos
para mim nunca acabados

no fim do centro da terra
jaz o monstro
que grita nos meus ecos
de traços finos e acabados

doem-me os sentidos
dos pensamentos que não tive
doem-me os gestos
do teu corpo no papel apagado

{foto de Sérgio Guerreiro}

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Wednesday, 18 July 2007

Pai

hoje acordei cansada
de ser mulher
quero de novo
ser menina…
*
pai, quero ser a menina
de cabelos pretos
que beijava as flores
e sorria para ti!
*
aquela menina feliz
ignorante da lei da vida,
do tempo que rouba as pessoas
e que te leva de mim devagar…
*
contigo aprendi a liberdade,
o sentido de tudo quanto é fecundo,
o querer bem a toda a gente
e o saber ser verdade…
*
em mim viverás para lá do tempo
e todo o teu saber para lá mim…
transmitido aos que amo
com o amor que contigo aprendi, pai.
*
{A ti Pai...}

Sunday, 8 July 2007

Do canto do olho a sombra


Ser uma pessoa?
Sou só um estranho...
Encontro-me comigo algumas vezes
Perco-me de mim quase sempre
À procura do sentido da vida
E sinto-me cansada de respirar
Devagar e ao compasso da vida
Prefiro compassar tudo com o
Estranho que me habita
E vejo flores e árvores
Ocas comigo lá dentro
E percebo que a minha vida é vazia
Toda ela é vazia
Quando me encontro
E não sei de mim

{foto de Carla Dias}

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Thursday, 5 July 2007

ainda sangra...


Há dias em que ainda doi a ausência do teu corpo enquanto durmo...

***
{foto de Daniela Amaral/Vicdaen - Miss You}
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Friday, 29 June 2007

O caderno de folhas azuis...


Afinal havia espaço
naquele caderno por
acabar

Afinal o espaço
existe sempre
ainda que acabe

Somos espaços
somos coisas
por acabar

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Sunday, 17 June 2007

O Grito!


Vendei os meus olhos...
Hoje é dia de calar...



{foto de Daniela Amaral/Vicdaen-Scream}

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Monday, 11 June 2007

Metamorfose

Passam…
Passam…
Dias…
E neles as horas e nelas os segundos…

O meu corpo deixa de ser o meu corpo,
do indicador ao mindinho vai-se (re)materializando.

No outro lado do vidro estás tu!
Pequeno traço de mim a vibrar na
palma da minha mão à procura ti.

{foto de Katia Chausheva - untitled}

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Wednesday, 6 June 2007

...



Estou cansada de viver sozinha com alguém!



{foto de Joana Queiroz, Stage 1}

Thursday, 31 May 2007

Surrealismos da Vida e da Morte


Pior do que falhar
é ter medo de falhar!

E não estamos todos presos?
Confinados a um espaço
e a um tempo?
E não queremos todos
sair?
Quebrar tudo?
FUGIR???????

E quando saímos
somos loucos,
não sabemos como fazer e
estamos cansados e
já não aguentamos e
voltamos a
tudo o que tínhamos e
éramos.
Metemos um peso sobre o
tempo… O nosso tempo,
que limita os nossos
espaços sem que se veja.

Tendemos todos!
TODOS!!!!!!!!
A espantar a morte!

Fechada, prostrada,
perdida nos destroços de
mim…
Somos todos fragmentos de
memoria.

- O JANTAR ESTÁ PRONTO?
- SIM, ESTÁ PRONTO!

Está sempre pronto,
estamos sempre prontos para
tudo…
Menos para a morte,
para o nada, para o
silêncio que cala todos os
espaços…

{Tela de Nuno Freitas - Romeu e Julieta}

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Friday, 25 May 2007

A fuga da/na persistência do sentir!


Perdoa-me se fujo!
Perdoa-me se parto sem dizer a última fala!
Deixaram-me sem didascálias e eu
já não sei como me devo comportar!
Perdoa-me se prefiro sair de cena,
este palco não é o meu!
Nesta peça o meu papel é o da
ausência de mim na presença de
ti e do teu corpo…
Que me perdoem todos ou que
me culpes apenas tu, mas
preciso de ser só a referência
metafórica da tua dramaturgia.
És a obra feita e acabada, eu
serei parte…
Pequena parte do
oxímoro do que de ti nasce!
Abraça-me a última de todas
as últimas vezes e deixa-me
mergulhar no espaço azul
em arcos…
Noutro lugar vou sorrir para
ti!
Porque te amo em todos
os espaços…

{foto de Pixel, um espectaculo de Rui Horta}

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Tuesday, 22 May 2007

A Janela


As janelas entreabertas da nossa memória deixavam entrar uma intimidade que não existiu. Ou que aconteceu como acto isolado num passado que deixa de o ser, de cada vez que a brisa abre mais um pouco as janelas e faz espreguiçar as cortinas e o que está dentro da casa habitada da nossa memória é o mesmo que está do lado de fora à procura de voltar ao dentro.

-----------------------Será que algum dia saís-te de mim?
--------Será que algum dia habitas-te esta casa?

A brisa espalha-se pela casa, faz-se notar, estende-se como tu cá dentro. Tem cheiro, textura, sabor…

.................................Abro os olhos, ergo-me…

O fumo dos cigarros já fugiu, as máquinas calaram-se, as janelas dentro de mim batem(-se) com força!!!

.......................................................E olho para ti…

Somos os mesmos, é verdade. Mas, o vento é mais calmo, a chuva hoje é sol e o toque não é o teu é o de uma flor.

....
{sei que tem erros - saís-te e habitas-te mal escrito - mas o "te" tem de estar separado, coisas da minha cabeça:p, não quero tratar mal a minha/nossa língua, mas preciso exteriorizar tal como sinto}
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Saturday, 19 May 2007

Meme...

- Qual é o meu meme?
- Estou como a Nhua, tenho vários memes...
----

O da Alegria, da Felicidade, da Partilha... que me faz acreditar que a vida me vai sorrir sempre ainda que me faça chorar!
O da Liberdade, que me deixa olhar o sol, cheirar as flores... pensar tudo e qualquer coisa ou nada e coisa alguma!
O das Palavras Escritas e Silenciadas, que me inquieta e me alivia!
O do Amor e da Fé, que dá sentido a todos os outros!

Qual é o teu meme?
Vou passar o desafio a todos os que visitarem o blog:)
É só carregar http://pt.wikipedia.org/wiki/Meme :)

Wednesday, 16 May 2007

É(s) o próprio Outono em mim…


De pé
À tua espera…
Em algum lugar
Ou em lugar algum!

Porque no fundo nunca te quis!
Porque no fundo não amei
nem desejei o teu corpo!
Porque no fundo queria-te
no mais fundo de ti…
Porque no fundo queria-te
mas não a ti.

O meu coração é como a bolsa do Diabo
Quando o abri só lá tinha folhas secas
É(s) o próprio Outono em mim…


Dá-me todo o teu amor
Só esta noite…

{foto de João Costa, manipulada por mim, espero que não te importes:P}

{sei que tem erros - queria-te, duas vezes mal escrito - mas o "te" tem de estar separado, coisas da minha cabeça:p, não quero tratar mal a minha/nossa língua, mas preciso exteriorizar tal como sinto}

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Monday, 7 May 2007


Apetece-me colo!
Apetece me o teu colo,
O teu regaço ao acordar,
O teu respirar!

Como se tivesses crescido cá dentro,
Mas sem envelhecer…

(O meu coração devagar…)

A pele
O calor dos corpos unidos
A partilha dos lábios
Um por do sol abraçados
As mãos dadas no cinema
Os risos escondidos nos ombros...

E depois voltar a estar sozinha
Tão sozinha como são todas as coisas sós!

Sempre este querer
E não querer!
Sempre esta vontade
De unir e de desamarrar!

Se quero estar sozinha?
Não é estar sozinha
Ou não estar…

(É estar, é ser
E não o querer querer)

É ser-se apenas e só
SÓ…
{Foto de Katia Chausheva - N&J}
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Tuesday, 1 May 2007

GRITAAAAAAAAAAAAAAR...

Cansada
Farta
Saturada
Exausta
Gasta
Esfalfada
Derreada
Extenuada
Arrasada
Fatigada
Moída
Enfadada

(…………………………………………………………)

Não quero tomar decisões
Não quero Nada
Deixem-me…

Apetece-me não existir em qualquer espaço habitado!

{Foto de Carlos Miguel}
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