Wednesday, April 7, 2010

o gozo de saber rir...

Se todos os dias fossemos está coisa feita de vento e chuva, feita de sol e secura, feita de ser e não ser, feita sem feitio e forma... Se todos os dias não fossemos a máquina, o negro de Lynch e a filosofia de Bergman... Se todos os dias fossemos qualquer coisa no meio do espaço infinito e não este corpo pegajoso e inútil vivendo dentro de uma caixa de betão armado onde de verdade não existimos. Se cada dia fossemos as nossas três realidades inteiras e se a cada momento fossemos também uma quarta realidade a meias com o outro. O nosso corpo projectado três vezes no espaço circunspecto pelo medo, dois fora e um dentro. Um direito e outro avesso. Um quarto que não temos tempo de ver e um terceiro que calamos sempre num eterno retorno cândido e sem sentido, apagado na memória selectiva que já não é sequer susceptível de ser menos ou mais que a maquina. Se deixarmos todas as religiões, se por fim dissermos que não sabemos para que servem e ainda menos a necessidade de ter uma. Se deixarmos a náusea do existencialismo, se de uma vez por todas deixarmos de ser agelastas desconfiados e sairmos dessa caixa de betão armado, desse mundo amarelo bacilente e apenas deixarmos-nos SER o gozo de saber rir.

(Thanks Tom Hayton for your inspiration - http://tweetphoto.com/16412105)

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